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Título: Morte e Vida Severina
Autor: João Cabral de Melo Neto
Ano: 2007
Editora: Alfaguara
Número de páginas: 168
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Sinopse: Morte e vida Severina, publicado pela primeira vez em 1956, é a obra mais popular e social do poeta. Retrata a fuga da seca de retirantes que seguem o curso do rio Capibaribe. Encenada dez anos depois de sua publicação, com música de Chico Buarque, recebeu diversos prêmios, como o do Festival de Nancy, na França. Em Paisagens com Figuras (1955), o poeta mescla, nos poemas, descrições das paisagens de Pernambuco e da Espanha. Por fim, em Uma Faca sem Lâmina (1955), obra densa e excepcional, Cabral remete a um tema que lhe é caro: a composição poética.

Morte e Vida Severina – auto de natal pernambucano é um poema dramático escrito por João Cabral de Melo Neto que conta a história de Severino um retirante nordestino que segue o curso do rio Capibaribe para chegar até a cidade grande em busca de melhores condições de vida.

O título Morte e Vida Severina já evidencia uma inversão na ordem natural ocorrendo a prevalência da morte sobre a vida. Essa  morte severina: que é a morte de que se morre de velhice antes dos trinta, de emboscada antes dos vinte, de fome um pouco por dia.

Durante o seu percurso Severino encontra a morte por diversas vezes e ela aparece em diferentes formas. 

— “Desde que estou retirando só a morte vejo ativa, só a morte deparei e às vezes até festiva;”

Outro aspecto abordado no poema é a religiosidade quando Severino compara sua viagem às contas de um rosário: “sei que há simples arruados, sei que há vilas pequeninas, todas formando um rosário cujas contas fossem vilas, de que a estrada fosse a linha. Devo rezar tal rosário até o mar onde termina, saltando de conta em conta, passando de vila em vila.” 

Para mim, a  parte mais emocionante do poema é o Funeral de um Lavrador, 

— Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida.
— é de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio.
— Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida…

Através deste poema o autor faz uma denúncia à extrema miséria, à falta de recursos essenciais de sobrevivência, à desigualdade social representada pelas distintas alas dos cemitérios de Santo Amaro e Casa Amarela. Avenidas dos ricos para os usineiros, políticos e banqueiros, o bairro dos funcionários para os contratados e mensalistas e o dos operários e dos indigentes para os retirantes e pobres vários.

É uma das obras de Literatura Brasileira mais emocionantes que eu já li, recomendo sem medo de errar. É maravilhosa e toda vez que releio, a emoção é sempre indescritível.

Escrito entre os anos de 1954 e 1955, mesmo ano em que foi publicado, Morte e Vida Severina é uma peça de teatro, de um ato, dividido em 11 quadros e que o último quadro subdivide-se em 8 cenas.

Morte e Vida Severina já ganhou diversas adaptações e uma das mais conhecidas é a Minissérie de mesmo nome filmada em 1981 e dirigida por Walter Avancini .

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2 comentários em “Resenha – Morte e Vida Severina – João Cabral de Melo Neto

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