Resenha – O Sol Ainda Brilha – Anthony Ray Hinton

Antes de conhecer este livro, eu acreditava que histórias como esta só existissem em roteiros de filmes e séries. No entanto, para minha tristeza eu estava totalmente enganada. Esta é a história real de um homem que ficou preso durante trinta anos no corredor da morte por crimes que não cometeu.

“— Aplique-me um teste no detector de mentiras, faça eu tomar o soro da verdade, use hipnose, me dê o que for que possa mostrar a eles que estou dizendo a verdade.”

Resenha o Sola Ainda Brilha

ISBN-13: 9788554126254
Ano: 2019
Tradutor: Luis Reyes Gil
Páginas: 320
Editora: Vestígio
Skoob: adicione
Compre na Amazon 

*Livro cedido pela Editora Vestígio

Anthony Ray Hinton nasceu no Alabama, Sul dos Estados Unidos. Desde muito cedo precisou encontrar meios para conviver em uma sociedade, na qual nascer pobre e negro era quase uma sentença de morte.

O Sol Ainda Brilha é um retrato triste de injustiça e preconceito racial sofrido por Anthony Ray Hinton, um homem negro que passou 30 anos de sua vida no corredor da morte lutando para provar sua inocência. 

Em uma noite do ano de 1985, Hinton trabalhava no armazém de um supermercado e nessa mesma noite a 25 km dali, um gerente de restaurante foi sequestrado e levou um tiro. Ele sobreviveu e mais tarde identificou Anthony Ray Hinton como o criminoso que quase o matou.

Hinton foi preso enquanto cortava a grama do jardim de sua mãe. A polícia encontrou uma velha arma que sua mãe guardava em casa e os peritos afirmaram que aquele revólver calibre .38 havia sido usado na tentativa de homicídio e em mais dois roubos na região.

Mesmo tento passado por vários momentos difíceis por conta da cor da sua pele, Hinton jamais poderia imaginar que aquele dia seria o início de muitos anos de injustiça, sofrimento e descaso. Negro, pobre e sem condições de contratar um bom advogado, Hinton ficou a mercê de advogados que não se importavam com a sua situação e não faziam nenhum esforço para defendê-lo, visto que, também não acreditavam na sua inocência.

Hinton afirma que se tivesse sido empregado algum empenho da parte do seu advogado na tentativa de esclarecer a verdade dos fatos ele não teria ficado preso por tanto tempo, já que todo o caso poderia ter sido esclarecido facilmente, pois quando os crimes ocorreram ele estava trabalhando em um local totalmente seguro com guardas e com um rígido controle de entrada e saída de pessoas. Além disso, devido a distância entre o armazém e o local onde os crimes foram cometidos não seria humanamente possível ele ter se deslocado, cometido os crimes e voltado ao trabalho sem que ninguém desse pela falta. Na realidade, eles não se importavam em descobrir o culpado, eles queriam um culpado. 

” — Veja, eu não quero saber se você é culpado ou não. Na realidade, eu acho que não foi você. Mas não importa. Se não foi você, foi um dos seus irmãos. E você vai levar a culpa.”

Pouco tempo depois de ser preso, Anthony Ray Hinton foi julgado e sentenciado à morte na cadeira elétrica. Ele foi levado ao corredor da morte e lá permaneceu até 2015 quando conseguiu provar sua inocência. Durante todos esses anos, apenas duas pessoas não deixaram de visitar Hinton na prisão: sua mãe e o seu amigo de infância Lester Bailey.  

No corredor da morte, Hinton passou vários anos sem perspectiva nem esperança de ser solto, pois os advogados designados para cuidar do seu caso não estavam nem um pouco interessados em provar sua inocência.

“Perda, dor e um loucura fria que desafiava as palavras flutuavam na sujeira e na imundície que nos cobria a todos. o inferno era real, e tinha um endereço e um nome. Corredor da Morte, Prisão Holman. Aonde o amor e a esperança vinham para morrer.”

Mesmo em um lugar como aquele, Hinton buscou uma forma de melhorar tanto a sua vida quanto à daquelas pessoas que já não tinha mais nenhuma esperança. Ele criou um clube do livro dentro do corredor da morte. A leitura seria um meio de fuga para aqueles que jamais iriam sair daquele cubículo e poder vislumbrar qualquer outro ambiente. 

“Se os caras tivessem livros, poderiam viajar o mundo. Ficariam mais inteligentes, mais livres. No passado, nos dias da escravidão, havia uma razão para que os donos de fazendas não quisessem que seus escravos aprendessem a ler.”

Este livro traz uma história bem pesada, mas que por alguns momentos é possível encontrar um certo alívio cômico, pois Anthony é um ser iluminado e com bastante bom humor. Mesmo tendo passado por toda essa tragédia, ele não deixou que seu espírito se abatesse. 

O Sol Ainda Brilha nos mostra como um sistema judicial precário, composto por membros preconceituosos, pode cometer erros irreversíveis e destruir a vida de uma pessoa. Anthony Ray Hinton revela toda sua fé, esperança e luta contra todas as formas de injustiça neste livro que é um relato impressionante de alguém que viveu e sofreu na pele o preconceito racial, as injustiças e o descaso de um sistema que pune não de acordo com as provas obtidas, mas sim, de acordo com a cor da sua pele.

Leia também: Resenha – O Sol é  Para Todos

Só em 1999, quando Hinton entra em contato com o advogado Bryan Stevenson e sua equipe, é que ele consegue reavivar a esperança em um dia se ver livre daquele lugar.

Durante a leitura, foi impossível não me recordar de outro livro que também aborda o tema do preconceito racial nos Estados Unidos que é a obra “O Sol é Para Todos“, da autora Harper Lee. Além disso, este livro traz essa referência e de outros como: “Eu sei por que o  pássaro canta na gaiola”, de Maya Angelou  e “Vá ao Alto da Montanha dizer issso”, de James Baldwin.

Siga o blog nas redes sociais!

Facebook  ❤  Twitter  ❤  Google+  ❤ Instagram  ❤  Pinterest

 

 

 

11 comentários em “Resenha – O Sol Ainda Brilha – Anthony Ray Hinton

  1. Ah, Gio, muito, muito obrigada por dividir essa leitura conosco trazendo essa resenha impecável!
    Quero muito ler esse livro (já fiquei interessada desde quando você trouxe a sinopse dele, mas agora, a vontade tornou-se uma necessidade)! Ele também me lembrou o fictício “À espera de um Milagre”, do Stephen King. E fiquei bem animada de saber que tenho “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola” e que é feito referência a ele. Saber que Hinton fundou um clube do livro enquanto esteve preso só aumentou minha curiosidade também.
    Obrigada, obrigada, obrigada!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Eu que agradeço! Ler essas palavras vindas de vc me traz mais ânimo para continuar escrevendo por aqui. Tb me lembrei de À Espera de um milagre, mesmo conhecendo a história apenas pelo filme. Ah, e no momento em que vi a referência de “Eu sei por que o pássaro canta na gaiola” me lembrei de vc. 😊😊😊

      Curtido por 2 pessoas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.