Resenha – Salvando a Mona Lisa – Gerri Chanel

Já passou pela sua cabeça como as obras de arte conseguiram atravessar séculos e continuarem intactas, mesmo após vários períodos conturbados da história? Eu nunca havia pensado sobre isso até o dia em que me deparei com o livro Salvando a Mona Lisa, da jornalista Gerri Chanel, que foi publicado pela Editora Vestígio.

Salvando a Mona Lisa

ISBN-13: 978-85-54126-31-5
Ano: 2019
Tradutor: Marcelo Hauck 
Páginas: 352
Editora: Vestígio
Skoob: adicione
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*Livro cedido pela Editora Vestígio

Salvando a Mona Lisa –  A extraordinária batalha para proteger o Louvre e seus tesouros da invasão nazista é o resultado de um excelente trabalho de pesquisa no qual, a autora Gerri Chanel buscou organizar de forma bastante didática inúmeros fatos ocorrido na França, especialmente, sobre o museu do Louvre e suas obras. 

O livro inicia com um importante relato de como teria sido a construção de uma fortaleza em 1190 pelo rei Filipe Augusto, que posteriormente seria transformada no Museu do Louvre, um dos museus mais famosos da atualidade. Assim, a história avança e vamos conhecendo os reis e imperadores que governaram a França e como o museu foi se desenvolvendo e recebendo as primeiras obras de arte.

Um fato interessante apresentado no livro foi acerca do roubo da Monalisa ocorrido em 1911 que passou despercebido por um período de 24 horas. Somente dois anos depois a famosa pintura foi reencontrada.

No entanto, o foco principal do livro é mostrar como curadores e demais funcionários dos museus da França conseguiram proteger milhares de obras de arte dos soldados nazistas durante a Segunda Guerra Mundial.

Com o crescimento do partido nazista em 1932, o diretor do Louvre, Henri Verne iniciou um processo de planejamento para evacuar as obras mais valiosas e colocá-las em locais seguros. Assim, às 5 da tarde do dia 25 de agosto de 1939, nove dias antes de a França declarar Guerra à Alemanha, o museu do Louvre fechou as portas para os visitantes. Em seguida, funcionários e voluntários começaram a desmontar, embalar e encaixotar algumas das obras de arte mais preciosas do mundo e providenciaram a maior evacuação de museu da história. 

Salvando a Monalisa

Cada peça recebeu uma etiqueta com um adesivo colorido de acordo com a prioridade e prestígio da obra: vermelho para prioridade máxima, verde para o mais significativo em meio a outras peças e amarelo para as obras de menor prioridade. As obras mais prestigiosas receberam dois adesivos vermelhos e a Monalisa foi a única a receber três adesivos. Durante os cinco anos de exílio, a Monalisa foi transportada seis vezes.

“A Mona Lisa saiu no primeiro comboio, acomodada em um estojo de álamo com o interior acolchoado com veludo vermelho, feito sob medida, que em seguida foi cuidadosamente posto em um caixote.”

As pessoas envolvidas nesse processo enfrentaram um grande desafio, pois havia obras gigantes como a pintura A balsa de medusa , medindo aproximadamente 7 metros de comprimento e 5 de altura. Além disso, o artista havia utilizado um  material pegajoso e com isso, era impossível enrolar a pintura para transportar. A única solução seria transportá-la do jeito que estava, o que mobilizou um grande contingente de profissionais dos Correios e da Agência de telecomunicações da França.

A viagem do comboio que levou a Monalisa durou três dias para chegar ao destino, pois devido à delicadeza da carga era necessário fazer várias paradas para verificar se tudo estava no lugar e também para que não superaquecessem os motores dos veículos, além do trajeto ser por terrenos bastante acidentados que dificultavam ainda mais a viagem.

Um nome importante nessa difícil empreitada foi Jacques Jaujard, subdiretor dos Museus Nacionais, sério e sempre reservado, Jaujard não mediu esforços para a realização desta importante tarefa.

Salvando a Mona Lisa está dividido em seis partes e traz diversas ilustrações, tanto do processo de evacuação das obras quantos dos lugares para os quais as obras foram levadas e de algumas das pessoas responsáveis pelo transporte e proteção das peças.

Apesar de todo o trabalho desempenhado por essas pessoas, no período entre março de 1941 e Julho de 1944,  quase 22 mil peças de arte foram saqueadas pelos alemães.

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Salvando a Mona Lisa é um livro de não ficção que apresenta fatos e detalhes minuciosos dessa época tão conturbada da história mundial. Pessoas com conhecimento da importância da arte para a humanidade arriscaram suas vidas para proteger obras de valores inestimáveis. Se hoje temos acesso e conhecimento acerca de tais obras devemos em grande parte à coragem desses homens e mulheres que lutaram para preservar esse patrimônio cultural. 

“Podemos perder lutas sem perder a honra; não lutar é o que nos faz perder a honra”. 

– JACQUES JAUJARD, Feuilles 

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6 comentários em “Resenha – Salvando a Mona Lisa – Gerri Chanel

  1. Eu com certeza quero ler esse livro, pois amo livros do gênero, que são de não ficção e tratam de Arte, principalmente sobre roubos de Arte. Adorei sua resenha, bem detalhada, que só instigou mais a vontade de ler o livro!

    Curtido por 2 pessoas

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